
encontro com a loucura
estou pensando em uma história de amor que não é minha.
não sou entendida de música clássica. na verdade, não entendo nada. sou do tipo de conhece as quatro estações por causa da propaganda do vinólia.
mesmo tendo deletado de sua programação peças que eu adorava, como a canção americana, a rádio cultura e seus concertos e aulas de música continuam gravados na memória 5 do rádio do carro. ímpar, como tem de ser quando me toca. foi lá que escutei a história pela primeira vez.
o sujeito é um músico que me faz parar tudo para ouvir. seja por que falam dele e recontam sua bonita, feliz e triste trajetória, seja por causa da música que, quando sei que foi composta por ele, já fico provocada a encontrar ali o amor profundo que tinha por clara. clara schumann. robert schumann.
o estadao de hoje tem uma reportagem sobre os 200 anos de nascimento do compositor alemão. leia se puder, não encontrei no site, mas deve entrar uma hora dessas. tá na página 5. o título é ‘schumann, por que ninguém fala dele’? e o autor do texto explica: chopin também nasceu em 1810 e acabou monopolizando as efemérides.
mas não é motivo para aborrecimento. schumann era foda.
ele tinha crises de depressão e ao mesmo tempo era do tipo bad boy, que se jogava no cigarro e nas bebidas e criava, criava muito. inspirado. morreu de sífilis, que pegou na boemia (antes de ficar com a clara). deixou-a viúva novinha.
o pai da clara, professor de schumann, chegou a proibir o namoro dos dois. mas depois eles ficaram juntos. foram, do jeito deles, felizes para sempre até a morte de robert. na verdade, até um pouco antes, acho. eles tiveram filhos, brigaram por causa de trabalho (os dois eram compositores, mas aparentemente também pessoas muito diferentes. iguais, mas diferentes) e, no fim, depois de brigar, amar, aceitar e cuidar ela ficou sozinha com as crianças. trecho:
“viveram um romance arrebatador por uma década. tiveram seis filhos. mas a sífilis que ele contraíra aos 20 anos e outros problemas mentais o levaram a um grave transtorno bipolar. robert atirou-se no reno em pleno inverno, tentando se matar. foi internado em um sanatório onde morreu, dois anos depois, em julho de 1856.” depois de viúva clara sofreu um pouco, mas se deu bem na música.
sabe o que o schumann deu de presente para a clara na véspera do casamento? um buquê de manuscritos de canções. amarrados numa fita de veludo. as flores.
parece simplesmente que os dois acreditaram, tentaram, se amaram, se ferraram juntos. não procuraram a perfeição, foram viver e pronto. mas ele pirou de vez. acho que ela fez o que tinha de fazer: viveu seu amor. não era boba. se amava tanto, sabia. e foi lá ver no que ia dar. aposto que gostou muito e em outras vezes sofreu muito, se descabelou e tudo.
era viva a clara. a clara também era foda.
queria um filme. schumann, clara e o amigo dela. outro compositor que não lembro o nome e que ficou ao lado dela até o fim. ela morreu velhinha, portanto espero que tenha namorado esse amigo também. mas disso eu não sei.