leite derramado
nao vou acentuar nem usar cedilhas. sou velha a ponto de ter feito datilografia, mas so vou usar o fura bolo por questao de uma necessaria preguica.
quando eu era assim, pequena, a familia as vezes ocupava uns chales no interior, em um lugar chamado ipero (com agudo no o).
lembro todos os dias da leiteira de aluminio fervendo varias vezes o mesmo leite. um leite gordo que nos chegava toda manha ainda morno, direto da teta da vaca. era muito cedo. as ruazinhas e os matos ainda molhados de orvalho. mas o gostoso era acordar e ficar bocejando isso tudo de dentro daquelas minicasinhas, como aldeia de smurfs, muitas e muitas vezes. tanto sono e tanta paz enquanto a higienizacao do mundo, sustentada pelo aumento da expectativa de vida (ou o contrario), mandava a epoca ferver o leite e matar seus bichos.
febre.
hoje em dia isso ta fora de moda. nao usa mais ferver, porque o calor mata aquilo que a gente precisa absorver. mas eu nao consigo parar. e derramo, derramo. nao consigo porque esqueco o fogao e vou fazer outra coisa enquanto espero, como tomar um yakult na janela pra ver de que jeito se ilumina o dia.
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setembro 12, 2011 às 3:12 pm
Pois é…
Eu que também sou velha, a ponto de ter feito curso de datilografia e de já ter tido de substituir o amado leite (Ninho) pelo iogurte, a-do-rei ler tudo isso!
Divertidíssimo, obrigada!
Eli