senhas
às vezes eu não acredito que tenho uma filha. no sobressalto, entendo que é comigo mesmo. ainda assim desacredito, principalmente porque ela é ela. com essa cara, esse olhar e esse jeito. ter um filho, para gente como eu, é mesmo a maior aventura da vida. a maior doideira (im)possível.
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outro dia, eu arrastava sandálias pela praia de iracema, o calçadão de fortaleza, empurrando o carrinho de uma cearense fofa. agora essa cearense tem oito anos e pega minha filha no colo na escolinha (da minha filha e não a dela). socorro. eu sou uma dessas pessoas abismadas pelo tempo.
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do calligaris hoje. olha que fino:
“ora, em regra, o que queremos não sai de graça. Num momento de propósitos como o começo do ano, é bom lembrar o seguinte: há várias razões de não conseguirmos realizar nossos desejos; talvez a principal delas seja que, frequentemente, não estamos dispostos a pagar o preço que esses desejos exigem de nós”
daí não dá, né?
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tchau.
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